Corote e Floriza posando juntos sob uma árvore no Pantanal
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Corote e a chapa perdida

Leonardo de Barros

O pantaneiro já ia há dias na labuta, o objetivo principal era ganhar um dinheiro e arrumar o teclado. Os dentes, já poucos, atrapalhavam comer e flechar as damas.

A fincada da agulha no consultório doeu, o velho pantaneiro sofreu toda sorte de tortura. No final foi coroado com a chapa reluzente. Um novo sorriso mostrava os teclados cor de marfim. A carne gorda da vaca velha pantaneira era estraçalhada com facilidade.

Corote trabalhava dobrado, tinha que pagar o novo teclado. Floriza tinha sido fisgada com novo visual. As despesas se avolumavam.

Acordando de madrugada, trabalhando até quando podia enxergar, a empreita tinha que pagar a chapa e os agrados para Floriza.

A moto serra quebrou quase escurecendo, acordou o sobrinho Ancelmo na fazenda vizinha, seguiram para Rio Verde, sem dormir. Corote tinha que voltar com a moto serra funcionando, seguir a empreita.

O dia quase clareando, o velho pantaneiro parou de contar seus causos, Ancelmo dormiu, o Toyota bandeirantes desgualepou barraco abaixo. O pior aconteceu, Corote largou o beiço no console do carro e rachou a chapa reluzente, quebrou ao meio. Tragédia!!

A resiliência pantaneira não tem limites, o pantaneiro saiu pela janela do velho Toyota, deu uma risada, agora com os teclados falhos falou: “afivela que daqui a pouco melhora..”

Minha gente pantaneira!